12 de fevereiro de 2015

Perto do fim

A impressão que tenho é que caminhamos a passos largos na direção do mais educativo momento da história brasileira: aquele que exporá a nossa equivocada e temerária mania de achar que para tudo há uma solução míope e transversa. Aquele que nos cuspirá na cara as excrescências da falta de educação, de respeito e de gentileza. Aquele que nos impedirá de atribuir aos outros, responsabilidades que são exclusivamente nossas. Aquele que nos fará assistir de camarote a precoce vitoria da imoralidade, da antiética e da corrupção. Aquele que nos transformará em cúmplices e apoiadores da malandragem e da ladroagem. Aquele que punirá a nossa inércia inexplicável e o nosso patriotismo frouxo. Aquele que nos relegará à eterna condição de terceiro mundistas. Aquele do qual nada e nem ninguém se salvará, na medida em que nada há para ser salvo.  

14 de dezembro de 2014

Se eu fosse apenas razão...

Se eu fosse apenas razão me afastaria de ti definitivamente sem remorsos e concederia ao tempo a árdua tarefa de apagar da minha memória a doce lembrança das suas feições amáveis e delicadas.

Se eu fosse apenas razão não me desconcertaria na sua presença, sentido minha boca secar e minhas pernas tremerem, e nem me deixaria encantar pelos teus curtos e repicados cabelos a lhe tocar lateralmente o rosto claro e liso.

Se eu fosse apenas razão não teria a audácia de mudar o trajeto confuso e imprevisível do meu dia para ir vê-la por minutos escassos e nem colocaria à prova a minha tênue capacidade de estar perto de ti sem me declarar num ato impensado de loucura.

Se eu fosse apenas razão não pensaria em ti sempre que recosto a minha cabeça no travesseiro e nem continuaria a sonhar com a improvável e remota hipótese de um dia vê-la aceitar o convite que indiretamente lhe fiz para que se torne parte da minha existência e o meu grande amor.

Se eu fosse apenas razão não me tornaria refém do inesperado e o mais esperançoso dos homens e nem teria a oportunidade de sentir as nuances de uma paixão arrebatadora que, mesmo não sendo correspondida, servirá ao menos de inspiração para os meus filhos e netos que espero, ao lerem as digressões de seu pai e avô, nunca desistam de seguir os seus corações
  

21 de novembro de 2014

Quem és tu ?

Quem és tu para falar de amor se nem chegou perto de vivência-lo plenamente, de compreendê-lo minimamente e de interpretá-lo com exatidão? 
 
Quem és tu para questionar as escolhas que as mulheres fazem se não tem sido capaz de sequer se entregar verdadeiramente a elas temendo voltar a se deparar com desilusões e medos do passado?
 
Quem és tu para importuná-las com as suas confissões d'alma e para supor que retribuirão às suas iniciativas espontâneas e abruptas sem questioná-las e sem considerá-las extravagantes demais?
 
Quem és tu senão um simples homem, imaturo e inocente, que decidiu vagar pelo desafiador universo da paixão tal como um estudante que busca conhecimento em um livro de páginas infinitas?

 

3 de novembro de 2014

As elucubrações de um apaixonado

É que meu coração está atônito diante de tamanho descaso e indiferença. É que me sinto um estranho neste universo e desejo viver naquele outro romântico do qual desfrutaram os nossos pais e avós. É que não entendo o que de fato querem as mulheres. É que, para mim, não há sentido algum nas escolhas que fazem. É que preferem a superficialidade de relações materiais à profundidade de beijos verdadeiros. É que escolhem o elo volátil e sem futuro ao carinho insofismável e eterno. É que trocam gestos verdadeiros e autênticos por aventuras passageiras e promessas vazias. É que não se permitem experimentar o desconhecido. É que preferem a aparente segurança de relações capengas ao mistério que há na vontade de se perder em outros abraços. É que se assustam com as palavras genuínas de uma carta de amor ao invés de contemplá-las letra por letra, sílaba por sílaba. É que se dizem cansadas de ser enganadas, mas não levam a sério aqueles que delas se aproximam com boas intenções. É que deixaram de se fazer respeitar ao se contentar placidamente com o pouco que lhes é oferecido. É que continuarão a sofrer desilusões inenarráveis e a levar à extinção o ímpeto e o arroubo que move a alma de um homem apaixonado.
  
 

24 de outubro de 2014

Amo-te Lulu

Amo-te desveladamente Lulu. Amo a travessura dos teus olhos e dos teus gestos delicados. A tua devoção pela arte que cria e recria com naturalidade assombrosa. O teu sorriso luminoso e a tua natural e exacerbada ansiedade, própria daqueles cujos espíritos sobrepõem o trivial e o caminhar comum da vida.

Amo-te desveladamente Lulu. Amo a nossa ligação inexplicável que vai além da nossa condição de irmãos. O teu carinho infindo pelas tuas referencias de vida e o teu senso de humor inigualável. A tua delicadeza sutil e a tua incrível capacidade de encantar a todos sem esforço algum.
Amo-te desveladamente Lulu. Amo a beleza do teu rosto e a pureza inata do teu coração. O contorno das tuas tatuagens e os teus questionamentos palpitantes e emocionados. O teu sono a te roubar a energia ao final da noite convidando-te a se aconchegar num canto qualquer feito uma criança cansada.
Amo-te desveladamente Lulu. Amo a estranha e gostosa intuição de que já estivemos juntos em outras vidas. A sensação única de que sou mais pleno e melhor perto de ti. Os teus rabos de cavalo fofos e os teus coques altos, o teu estilo inconfundível e a idéia de que ainda poderei te envolver muitas vezes em meus braços como forma de te mostrar cruamente e sem rodeios o tamanho do meu amor por ti.  

3 de outubro de 2014

Fora Dilma !!!

Não me venham com discursos politicamente corretos e nem tentem me dissuadir da opinião de que não é possível eleger como presidente de uma nação de mais de duzentas milhões de pessoas alguém que é incapaz de completar uma frase, de concordar o verbo com o sujeito, de usar corretamente preposições e advérbios e de transmitir com o mínimo de coerência e clareza possível qualquer simples ideia.

Tenho vergonha de ser representado por você Dilma ! De vê-la mentir abertamente e cuspir expressões enigmáticas e completamente surreais na nossa cara. De observá-la negar a realidade como uma louca desvairada e falar do nosso país como se fosse exclusivamente seu e da corja corrupta e nojenta que a assessora. De percebê-la tal e qual a caricatura esdrúxula na qual se transformou, criada por marqueteiros profissionais que, para o nosso deleite, nunca e em tempo algum serão capazes de mascarar a sua instintiva prepotência, a sua latente ignorância e o completo despreparo que a acompanha.

Não sou filiado a nenhum partido e nem me simpatizo com qualquer um deles, mas sinceramente, a dois dias do mais importante dia dos nossos próximos quatro anos, sinto-me no dever de expressar a minha indignação e de dizer à V. Exa. e à sua trupe imunda que nós não somos burros e idiotas como pensam, razão pela qual afirmo que não desistiremos de devolvê-los ao anonimato, lugar do qual, aliás, nunca deveriam ter saído.





1 de outubro de 2014

Carta ao sobrinho

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, de súbito e num susto, se deparar com o vazio que consubstancia a vida, peço que se esforce para encher de ar os pulmões e que deixe brotar de seu âmago o mais robusto, intenso e libertador dos prantos.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, carinhosamente e pela primeira vez, for envolvido pelo colo delicado de sua mãe, peço que dele desfrute intensamente e que aprenda desde logo que ele será, daqui para frente, o mais aconchegante dos lares que conhecerá.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, instintiva e intuitivamente, identificar o toque  protetor e desvelado das mãos de seu pai, peço que o guarde para si como um gesto indizível de amor e que o carregue consigo de forma latente, perpetuando-o e renovando-o aonde for.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, assustado e desconfiado, encarar olhares curiosos e amáveis, peço que saiba identificar neles a essência maravilhosa que emana da sua família e que seja capaz de dela extrair a mesma incrível e plena felicidade que a sua chegada gerará.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e terá a certeza de que embora só, você nunca estará sozinho.
 

15 de setembro de 2014

Um aprendiz e nenhum mestre

Sou um naufrago perdido numa ilha de incertezas a contemplar o todo, sem dele nada extrair. Corro com os cabelos desvairados e desnorteadamente, quase sempre em círculos e sem rumo por sobre pedregosos grãos de desesperança. Faço das minhas infindáveis, limitadas  e imaturas reflexões refúgio fugaz e precário e deixo de ver sentido, congruência e coerência na dinâmica da vida, tomado que sou pela angústia de nada saber. E neste passo incerto e trabalhoso vou desbravando e enfrentando a minha pueril existência, tal e qual um inseguro e inexperiente aprendiz que carrega dentro de si a aflitiva sensação de ter sido abandonado repentinamente pelo mestre.


26 de agosto de 2014

O mundo é dos loucos

Sejamos mais loucos e desvairados e menos sábios e racionais. Ajamos por impulso e por arrebatamento. Enchamos de misticismo os nossos gestos e ouçamos mais e melhor os nossos instintos incontroláveis. Choremos um rio de lágrimas se for preciso e nos emocionemos com as mais triviais e finitas coisas. Comamos com mais prazer e durmamos inebriados pela esperança que permeia os sonhos. Tomemos mais chá em homenagem ao ócio e diminuamos a ligeireza dos nossos passos automáticos. Toquemos acordes em um instrumento qualquer e sintamos que são as nossas almas que regem o som que dele emana. Aprendamos a perdoar o imperdoável e a errar sem nunca perder a respeitabilidade. Não cobremos dos outros e de nós mesmos em demasia e percebamos a escassez e a miudez do tempo que nos levará ao túmulo. Acreditemos na soberania da verdade e na intangibilidade do destino e saibamos apreciar a beleza que brota da nossa aparente insignificância. Exercitemos o direito de fundamentar o mistério, de nos arrepiar com o azedume do limão e de nos presentear com a doçura indizível do açúcar. Tornemos mais intensos e menos previsíveis os nossos momentos e experimentemos o que nos amedronta e nos limita. Achemos graça das nossas esquisitices e excentricidades e tenhamos um pouco mais de paciência e de tolerância. Puxemos, por fim, com firmeza as rédeas das nossas frágeis vidas e façamos delas pequenas obras de arte, dignas de ser guardadas num cantinho qualquer desse universo sem sentido.


13 de agosto de 2014

Ao paquera

Não me venha com meias palavras e com carinhos pouco efusivos. Não me diga frases prontas e nem tente me convencer do seu pseudo interesse através de gestos questionáveis. Não cozinhe os meus sentimentos em Banho Maria e nem tenha a desfaçatez de sumir por uma semana e dizer que sentiu a minha falta e que tudo que vivenciou na minha ausência o fez lembrar de mim. Não se atreva a me usar como se eu fosse um objeto da sua insegurança e sinta vergonha por não ser corajoso a ponto de dizer em alto e bom som o que de fato quer comigo, ou mesmo, que nada quer. Não me faça perder dias, meses e anos preciosos dessa minha existência única e não demore muito para se decidir acerca de nós dois, eis que sua estranha incerteza tende a me fazer concluir que não merece os meus encantos e a pessoa extraordinária que me tornei.