21 de novembro de 2014

Quem és tu ?

Quem és tu para falar de amor se nem chegou perto de vivência-lo plenamente, de compreendê-lo minimamente e de interpretá-lo com exatidão? 
Quem és tu para questionar as escolhas que as mulheres fazem se não tem sido capaz de sequer se entregar verdadeiramente a elas temendo voltar a se deparar com desilusões e medos do passado?
Quem és tu para importuná-las com as suas confissões d'alma e para supor que retribuirão às suas iniciativas espontâneas e abruptas sem questioná-las e sem considerá-las extravagantes demais?
Quem és tu senão um simples homem, imaturo e inocente, que decidiu vagar pelo desafiador universo da paixão tal como um estudante que busca conhecimento em um livro de páginas infinitas?

 

3 de novembro de 2014

As elucubrações de um apaixonado

É que meu coração está atônito diante de tamanho descaso e indiferença. É que me sinto um estranho neste universo e desejo viver naquele outro romântico do qual desfrutaram os nossos pais e avós. É que não entendo o que de fato querem as mulheres. É que, para mim, não há sentido algum nas escolhas que fazem. É que preferem a superficialidade de relações materiais à profundidade de beijos verdadeiros. É que escolhem o elo volátil e sem futuro ao carinho insofismável e eterno. É que trocam gestos verdadeiros e autênticos por aventuras passageiras e promessas vazias. É que não se permitem experimentar o desconhecido. É que preferem a aparente segurança de relações capengas ao mistério que há na vontade de se perder em outros abraços. É que se assustam com as palavras genuínas de uma carta de amor ao invés de contemplá-las letra por letra, sílaba por sílaba. É que se dizem cansadas de ser enganadas, mas não levam a sério aqueles que delas se aproximam com boas intenções. É que deixaram de se fazer respeitar ao se contentar placidamente com o pouco que lhes é oferecido. É que continuarão a sofrer desilusões inenarráveis e a levar à extinção o ímpeto e o arroubo que move a alma de um homem apaixonado.
  
 

24 de outubro de 2014

Amo-te Lulu

Amo-te desveladamente Lulu. Amo a travessura dos teus olhos e dos teus gestos delicados. A tua devoção pela arte que cria e recria com naturalidade assombrosa. O teu sorriso luminoso e a tua natural e exacerbada ansiedade, própria daqueles cujos espíritos sobrepõem o trivial e o caminhar comum da vida.

Amo-te desveladamente Lulu. Amo a nossa ligação inexplicável que vai além da nossa condição de irmãos. O teu carinho infindo pelas tuas referencias de vida e o teu senso de humor inigualável. A tua delicadeza sutil e a tua incrível capacidade de encantar a todos sem esforço algum.
Amo-te desveladamente Lulu. Amo a beleza do teu rosto e a pureza inata do teu coração. O contorno das tuas tatuagens e os teus questionamentos palpitantes e emocionados. O teu sono a te roubar a energia ao final da noite convidando-te a se aconchegar num canto qualquer feito uma criança cansada.
Amo-te desveladamente Lulu. Amo a estranha e gostosa intuição de que já estivemos juntos em outras vidas. A sensação única de que sou mais pleno e melhor perto de ti. Os teus rabos de cavalo fofos e os teus coques altos, o teu estilo inconfundível e a idéia de que ainda poderei te envolver muitas vezes em meus braços como forma de te mostrar cruamente e sem rodeios o tamanho do meu amor por ti.  

3 de outubro de 2014

Fora Dilma !!!

Não me venham com discursos politicamente corretos e nem tentem me dissuadir da opinião de que não é possível eleger como presidente de uma nação de mais de duzentas milhões de pessoas alguém que é incapaz de completar uma frase, de concordar o verbo com o sujeito, de usar corretamente preposições e advérbios e de transmitir com o mínimo de coerência e clareza possível qualquer simples ideia.

Tenho vergonha de ser representado por você Dilma ! De vê-la mentir abertamente e cuspir expressões enigmáticas e completamente surreais na nossa cara. De observá-la negar a realidade como uma louca desvairada e falar do nosso país como se fosse exclusivamente seu e da corja corrupta e nojenta que a assessora. De percebê-la tal e qual a caricatura esdrúxula na qual se transformou, criada por marqueteiros profissionais que, para o nosso deleite, nunca e em tempo algum serão capazes de mascarar a sua instintiva prepotência, a sua latente ignorância e o completo despreparo que a acompanha.

Não sou filiado a nenhum partido e nem me simpatizo com qualquer um deles, mas sinceramente, a dois dias do mais importante dia dos nossos próximos quatro anos, sinto-me no dever de expressar a minha indignação e de dizer à V. Exa. e à sua trupe imunda que nós não somos burros e idiotas como pensam, razão pela qual afirmo que não desistiremos de devolvê-los ao anonimato, lugar do qual, aliás, nunca deveriam ter saído.





1 de outubro de 2014

Carta ao sobrinho

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, de súbito e num susto, se deparar com o vazio que consubstancia a vida, peço que se esforce para encher de ar os pulmões e que deixe brotar de seu âmago o mais robusto, intenso e libertador dos prantos.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, carinhosamente e pela primeira vez, for envolvido pelo colo delicado de sua mãe, peço que dele desfrute intensamente e que aprenda desde logo que ele será, daqui para frente, o mais aconchegante dos lares que conhecerá.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, instintiva e intuitivamente, identificar o toque  protetor e desvelado das mãos de seu pai, peço que o guarde para si como um gesto indizível de amor e que o carregue consigo de forma latente, perpetuando-o e renovando-o aonde for.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e quando, assustado e desconfiado, encarar olhares curiosos e amáveis, peço que saiba identificar neles a essência maravilhosa que emana da sua família e que seja capaz de dela extrair a mesma incrível e plena felicidade que a sua chegada gerará.

Nascerá de manhãzinha Gabriel e terá a certeza de que embora só, você nunca estará sozinho.
 

15 de setembro de 2014

Um aprendiz e nenhum mestre

Sou um naufrago perdido numa ilha de incertezas a contemplar o todo, sem dele nada extrair. Corro com os cabelos desvairados e desnorteadamente, quase sempre em círculos e sem rumo por sobre pedregosos grãos de desesperança. Faço das minhas infindáveis, limitadas  e imaturas reflexões refúgio fugaz e precário e deixo de ver sentido, congruência e coerência na dinâmica da vida, tomado que sou pela angústia de nada saber. E neste passo incerto e trabalhoso vou desbravando e enfrentando a minha pueril existência, tal e qual um inseguro e inexperiente aprendiz que carrega dentro de si a aflitiva sensação de ter sido abandonado repentinamente pelo mestre.


26 de agosto de 2014

O mundo é dos loucos

Sejamos mais loucos e desvairados e menos sábios e racionais. Ajamos por impulso e por arrebatamento. Enchamos de misticismo os nossos gestos e ouçamos mais e melhor os nossos instintos incontroláveis. Choremos um rio de lágrimas se for preciso e nos emocionemos com as mais triviais e finitas coisas. Comamos com mais prazer e durmamos inebriados pela esperança que permeia os sonhos. Tomemos mais chá em homenagem ao ócio e diminuamos a ligeireza dos nossos passos automáticos. Toquemos acordes em um instrumento qualquer e sintamos que são as nossas almas que regem o som que dele emana. Aprendamos a perdoar o imperdoável e a errar sem nunca perder a respeitabilidade. Não cobremos dos outros e de nós mesmos em demasia e percebamos a escassez e a miudez do tempo que nos levará ao túmulo. Acreditemos na soberania da verdade e na intangibilidade do destino e saibamos apreciar a beleza que brota da nossa aparente insignificância. Exercitemos o direito de fundamentar o mistério, de nos arrepiar com o azedume do limão e de nos presentear com a doçura indizível do açúcar. Tornemos mais intensos e menos previsíveis os nossos momentos e experimentemos o que nos amedronta e nos limita. Achemos graça das nossas esquisitices e excentricidades e tenhamos um pouco mais de paciência e de tolerância. Puxemos, por fim, com firmeza as rédeas das nossas frágeis vidas e façamos delas pequenas obras de arte, dignas de ser guardadas num cantinho qualquer desse universo sem sentido.

 

13 de agosto de 2014

Ao paquera

Não me venha com meias palavras e com carinhos pouco efusivos. Não me diga frases prontas e nem tente me convencer do seu pseudo interesse através de gestos questionáveis. Não cozinhe os meus sentimentos em Banho Maria e nem tenha a desfaçatez de sumir por uma semana e dizer que sentiu a minha falta e que tudo que vivenciou na minha ausência o fez lembrar de mim. Não se atreva a me usar como se eu fosse um objeto da sua insegurança e sinta vergonha por não ser corajoso a ponto de dizer em alto e bom som o que de fato quer comigo, ou mesmo, que nada quer. Não me faça perder dias, meses e anos preciosos dessa minha existência única e não demore muito para se decidir acerca de nós dois, eis que sua estranha incerteza tende a me fazer concluir que não merece os meus encantos e a pessoa extraordinária que me tornei.

15 de julho de 2014

Pedido à tristeza

Invada-me tristeza e me leve para o fundo do mais profundo poço desta terra. Faça-me senti-la escalpelar-me as entranhas e o âmago e me conceda a oportunidade de conhecer a mais crua faceta de um sofrer intenso e desmedido. Dai-me o direito de encarar nos olhos os meus mais terríveis medos e as minhas mais sutis limitações e se apodere das minhas veias e artérias tal como faz o sangue que nelas corre. Torna-me discípulo da dor que ensina, que fortalece e que transforma e não me deixe abandoná-la sem compreendê-la e nem viver sem antes morrer de amor.
 

2 de junho de 2014

A espera

Esperarei por ti ainda que isto me atire no limbo e me faça despencar no penhasco da mais absoluta incerteza. Aceitarei o estranho e inexorável pressentimento que de mim se apodera ao te ver e o palpite inexplicável e inconsciente de que não haverá outra mulher a me preencher a vida num olhar, tal como fez. Agir diferentemente será o mesmo que extirpar de mim e deixar perecer a mensagem intuitiva que, por ora, me invade como que me convidando a destrancar portas intransponíveis e a percorrer caminhos intransitáveis envolto pelo manto sagrado da paixão. Talvez perpasse pela crua e corajosa imprudência esta minha iniciativa incomum e definitiva e é bem provável que num futuro próximo eu me compadeça da minha doce inocência, mas prefiro morrer fiel às elucubrações sinceras e incontroláveis do meu peito do que viver renegando-as artificialmente.